quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A solidão em si é muito relativa... (Carlos Drummond de Andrade)


"A solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, que gosta de música, de ler, nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos." 

Carlos Drummond de Andrade,
 poeta, MG, 1902-1987


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

VIAJANDO ESPIRITUALMENTE COM O GUARDIÃO SABARÁ (Wagner Borges)





VIAJANDO ESPIRITUALMENTE COM O GUARDIÃO SABARÁ

(Nas Curvas do Rio da Vida, Lavando a Alma do Mundo...)

Eu escuto um chamado na chuva...
E o vento varre minhas energias.
Então, eu vejo um guardião espiritual.
E ele gira e dança, e me diz:
"Escreva, irmão.
Em nome de Nosso Pai!
E agradeça à chuva, em seu coração.
E que o vento da vida seja seu amigo.
Você sabe: as estrelas também cantam.
E os espíritos escutam... E descem com a chuva.
Para limpar o que os homens não veem.
Para exonerar as maldades ocultas que assolam o mundo.
Para varrer o chão dos malefícios.
Escreva, enquanto eu balanço a aroeira*.
É Nosso Pai do Céu que dá a vida.
E quem é humilde, agradece."
Admirado, olho a chuva e agradeço, e penso:
"Esse espírito desceu com a chuva.
Veio lá de cima, das estrelas.
Para cantar aqui, em meu coração.
Veio com humildade, em nome de Deus.
Então, que a alma do cancioneiro fale!
E que eu seja digno de escrever.
Sim, ele com a aroeira, e eu com a caneta.
E Deus olhando por nós."

* * *

É noite funda.
A chuva cai na cidade.
E eu me lembro das curvas do rio.
Ah, que saudades do sertão!
Onde me criei solto...
Olhando as noites estreladas.
Onde Meu Pai me botou para viver.

A boa nova da terra recebendo a chuva,
Dançando na noite dos homens.
Para quem vê e compreende,
As águas limpam a alma do mundo.
Tiram a secura do coração.
Quem é humilde, agradece.

Ah, Meu Pai do Céu!
O fogo das estrelas desceu em meu coração.
E eu me vi limpando a alma dos homens.
Mas eu queria mesmo é estar no sertão.
Lá nas curvas do rio... No silêncio da noite.

O vento da vida me levou...
E a chuva me trouxe, no escuro da cidade.
Para eu cantar a luz das estrelas no chão.
Para espantar a maldade lá para longe.

Ah, Meu Pai do Céu!
Eu danço com a aroeira, limpando tudo.
Enquanto os homens dormem, eu varro...
Eu não faço isso por eles, mas, pelas estrelas.
Eu queria mesmo é cantar nas curvas do rio.
No entanto, estou aqui na cidade, em Seu Nome.

A chuva me trouxe, na canção da noite.
E eu giro e danço, e a aroeira vai limpando tudo;
Enquanto a água da chuva lava o asfalto...
E o fogo das estrelas queima o chão!

Em meu peito, a saudade do sertão.
Mas, nessa noite, as curvas do rio são aqui.
E com humildade, eu agradeço.
Ao Meu pai do Céu!
Às estrelas.
À chuva.

P.S.:
Quem é do bem, que se afaste das trevas.
Mandinga não acende o coração de ninguém.
O Amor, sim.
E a grande magia é a do Nosso Pai do Céu:
Aquela que dá a vida.
Na Luz, o ódio não tem vez.
Quem opera na magia, que a oriente para o Bem.
Na "gira da vida", os espíritos também cantam.
Eles descem em nome do Pai de todos.
Quem é do Bem, que faça por onde.
Pois o fogo das estrelas também queima o chão dos homens.

(Dedicado aos guardiões secretos, que protegem os homens e varrem os malefícios para bem longe, com as energias da aroeira, sempre na Fé, em nome do Pai do Céu.)

- Sabará -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 04 de setembro de 2009.)

- Nota de Wagner Borges: Agradeço a presença desse guardião e a energia boa que ele trouxe. E me sinto honrado de transcrever o seu recado espiritual.

A chuva continua caindo lá fora, e eu me pego pensando naqueles que bloquearam a luz espiritual em seus corações e se deixaram levar pelas luzes transitórias do mundo, permitindo, assim, a presença das trevas em suas vidas.

E também me lembro de Jesus e de sua clara observação aos homens de boa vontade, quando ele dizia: "De que adianta a uma pessoa ganhar o mundo, se ela perder sua alma?"

Em dias de grande vazio existencial e de materialismo exacerbado, é um bálsamo ver um guardião espiritual desses, que trabalha nos bastidores extrafísicos, com simplicidade e modéstia, e que ainda me agradeceu por eu ter escrito o que ele pediu.

Oxalá o seu recado chegue aos corações que precisam recuperar sua luz espiritual e a fé no Todo, que está em tudo.

E eu fico aqui, admirado, como sempre, com o meu lar cheio de luz e o meu coração cheio de alegria.

A chuva continua caindo na madrugada da grande metrópole de aço e concreto, e eu sou só gratidão...

Paz e Luz.

- Nota do Texto:

* A aroeira do sertão é uma árvore com altura de 6-14m, com tronco de 20-25 cm, tendo seu campo nativo desde o Ceará (caatinga) até o estado do Pará e Mato Grosso do Sul, sendo mais frequente no nordeste do país, oeste dos estados da BA, MG, SP e sul dos estados MS, MT e GO. Além de várias aplicações fitoterápicas, também é considerada uma árvore com propriedades de limpeza psicofísica e descarrego de energias pesadas.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

AL DI LA (Tradução)




“Não creio ser possível.

Se pudesse lhe diria estas palavras:

Muito além do bem mais precioso está você.

Muito além do sonho mais ambicioso está você.

Muito além das coisas mais belas,

Muito além das estrelas

Está você.

Muito além está você para mim.

Você significa muito para mim.

Muito além do mar mais profundo está você.

Muito além do limite do mundo está você.

Muito além do céu infinito,

Muito além da vida

Está você.

Muito além está você para mim.”







terça-feira, 24 de julho de 2012

Límpida e lúcida estrela, só teu clarão me conduz! (Miguel de Cervantes e Saavedra)







Sou marinheiro de amor,
e em seu pélago profundo
navego, sem ter esp’rança
de encontrar porto no mundo.

E vou seguindo uma estrela,
que brilha no céu escuro,
mais bela e resplandecente
que quantas viu Palinuro.

Eu não sei aonde me guia,
e a navegar me costumo,
mirando-a com alma atenta,
cuidoso, mas não do rumo.

Recatos impertinentes,
honestidade no apuro,
são as nuvens que ma encobrem,
quando mais vê-la procuro.

Límpida e lúcida estrela,
só teu clarão me conduz!
Extingue-se a minha vida,
em se extinguindo a tua luz.

Miguel de Cervantes e Saavedra


terça-feira, 17 de julho de 2012

Sonhar mais um sonho impossível... (Chico Buarque)








Sonhar mais um sonho impossível

Lutar quando é fácil ceder

Vencer o inimigo invencível

Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável

Romper a incabível prisão

Voar num limite provável

Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão

Virar este mundo, cravar este chão

Não me importa saber

Se é terrível demais

Quantas guerras terei que vencer

Por um pouco de paz

E amanhã se este chão que eu beijei

For meu leito e perdão

Vou saber que valeu

Delirar e morrer de paixão

E assim, seja lá como for

Vai ter fim a infinita aflição

E o mundo vai ver uma flor

Brotar do impossível chão.




Chico Buarque






terça-feira, 10 de julho de 2012

Depressão bipolar: Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa! (Lázaro Freire)






> - "Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa". É uma referência ao inconsciente? Fico pensando então se nesse caso a água não deveria ser turva.

No contexto da bipolaridade do Renato Russo, como ele coloca na música HÁ TEMPOS, não.

Mas há duas leituras possíveis. Dizem que havia um poço na casa, e o Renato, nas depressões movidas a cocaina, pensava sem se jogar lá. Mas achava que ele era imundo demais para a água límpida que havia ali, e que sua morte a turvaria.

Mas convenhamos, além do FATO, há metáforas psicanalíticas profundas nisso. Façamos uma leitura mais ANALÍTICA, sem julgarmos a "cor" da água real ou metafórica do cantor:

É uma obra que começa com "parece cocaína, mas é só tristeza", a melhor metáfora que já vi para a bipolaridade: 

Uma profunda tristeza gerando a máscara da mania e euforia. 

Ao pé da letra, podemos entender a depressão que vem da cocaína. Mas psicologicamente, ele diz muito mais. Diz que sua euforia não é a cocaína, mas a compensação de seu estado depressivo. Em outros termos, não é que a cocaína gere a euforia; ao contrário, a necessidade maníaca de compensar a depressão é que o leva à cocaína.

A música segue questionando os valores. "Há tempos são os jovens que adoecem". Mas ele afirma seus valores, disciplina, compaixão, bondade. E demonstra ter dificuldade funcional em viver a partir deles. A letra é um requiém a uma vida focada em valores que ele não conseguiu administrar dentro de seu meio, afetividade, drogas, sucesso e condições. Não é coincidência ser, assumidamente, um namoro com o suicídio.

Nesse contexto, o que o levaria ao suicído "no poço" é, psicanaliticamente, a própria identificação com um poço interior. 

Note que não se trata de alguém tentando parecer bonzinho com uma sombra turva no interior. É justamente o contrário, alguém se desnudando em público, confessando suas fraquezas, pensando em desistir, porque não consegue administrar suas águas mais límpidas com a vida que traçou para si. 

Nesse sentido, a mensagem metafórica do poço é clara: Lá em casa (dentro dele), há um poço. Mas ele sabe que a água (emocional, valores) do poço é muito límpa. Por isso ele não se suicida. Não porque a água real ficará suja, mas porque ele, por mais que sofra, por mais que lhe acusem ou SE auto-acuse pela profundidade do poço de suas questões, o poeta tem ORGULHO de seus valores, da água límpida e profunda que pode lhe matar. 

Assim como não fazia sentido para o Renato Russo se jogar naquela cistena de água límpida do fundo do quintal, para não contaminá-la com a "sua sujeira", do mesmo modo ele desiste simbolicamente da idéia de se matar, já que ele tem orgulho de ser quem é, e inconscientemente percebe que não são seus valores que estão tão errados, mas sim a sua socialização. Daí a necessidade da euforia (cocaína) para encobrir a tristeza bipolar de existir.

Grande poeta. Grande exemplo de como a sombra psíquica pode, como dizia Jung, ser sublimada na expressão artística e poética. 

Registre-se que Renato Russo morreu de AIDS, uma doença que hoje não o mataria mais - e não de depressão. 

Ao contrário, a canalização poética da dor de sua depressão ajudou a dar oriente e senso crítico para toda uma geração.


--
Lázaro Freire

Psicanalista Transpessoal

lazarofreire@voadores.com.br







Egoísmo (Rabindranath Tagore)



Fui sozinho à minha entrevista, 
Quem é esse que me segue 
na escuridão calada? 

Afasto-me para ele passar, 
mas não passa. 

Seu andar soberbo 
levanta poeira, 
sua voz forte 
duplica a minha palavra. 

Senhor, 
é o meu pobre eu! 
Ele não se importa com nada. 
Mas como sinto vergonha 
por ter de vir com ele 
à tua porta! 

Rabindranath Tagore, 
in "O Coração da Primavera" 
Tradução de Manuel Simões