quinta-feira, 22 de setembro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SONHO DE CRAQUE (A. C. H. P. S.)


 
 
Segue a mais nova poesia, fruto da tristeza de ver um menino de 09 anos chorar porque sua mãe não vai visitá-lo há três meses na clínica onde está internado para tentar se livrar do crack. Cada vez mais me convenço de que o que falta às pessoas é mesmo o amor. A insistência do amor. Principalmente com quem parece não ter jeito. Todo mundo tem jeito, ué! Nossa! Por que não ter esperança? Por que não acreditar nas mudanças? Se não houvesse mudanças, o Brasil ainda seria um país escravocrata. O muro de Berlim ainda estaria lá. Por que condenar um menino de 09 anos? Meu Deus! Uma criança que está só começando a entender sobre a vida! Por que cultivar a ideia de que a vida é dura? Pobre vida! Carrega uma culpa que é nossa, porque duros somos nós com nossos julgamentos e condenações imediatas. Não concordo. Não aceito. Porque os menininhos são só menininhos, que dependem de nós (homens feitos?) para aprenderem a crescer. E nós dependemos deles para aprendermos a diminuir. "Vi as lágrimas dos oprimidos. Mas não há quem os console." "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo."


Um abraço carinhoso!





SONHO DE CRAQUE



Menininho, o que foi feito de você?

O que foi feito do sonho de jamais anoitecer?

Dormiu demais, menininho, e esqueceu de acordar?

Teve medo de abrir os olhos e o céu escuro encarar?



Menininho, o que olhar se não há o que ver?

É uma vida toda feita pra aborrecer e doer.

Falta amor, menininho, falta apoio de mão.

Falta pão e carrinho, sobra só ilusão.



Menininho bonzinho cheio de solidão.

O arco-íris de um lado, e ele na contramão.



Menininho, quando seu sonho mudou?

Quando saiu a bicicleta e quando a pedra entrou?

Quando deixou, menininho, de pensar como criança?

Quem ensinou esses passos? Onde aprendeu essa dança?



Menininho, craque aqui só você!

Olha pro céu, que é tão lindo, mesmo ao escurecer!

Veja bem, menininho, que para além do luar,

O sol, escondidinho, nunca deixou de brilhar.



É isso aí, menininho, ainda dá pra sonhar!

Na hora do pesadelo é sempre bom despertar...



 (A. C. H. P. S.)



Para todas as crianças envolvidas com crack. Com sincera esperança de se tornarem craques. Especialmente para as que já estão em tratamento, e sentem saudades das visitas familiares. Um abraço apertado no coração de vocês, menininhos! E para todos os familiares que não encontram tempo de visitar. Para não esquecerem de que são só, somente só, menininhos.


Traduzir-se (Ferreira Gullar)



Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Religiões que limitam e separam e Espiritualidades que ampliam e unem...




A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.

A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer, querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.

A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprende com o erro".

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.

A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.

A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.

A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.

A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.

A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.

A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Honestidade incondicional (Redação do Momento Espírita)





A educação informal acontece no lar, nas situações mais inesperadas. Sábios são os pais que delas tiram o melhor proveito.

Mildred era uma garotinha, quando o mundo mergulhou na Primeira Grande Guerra.

Seu pai havia construído um imenso apiário, que era a maior fonte de renda da família.

Todo apicultor sabe que uma colméia pode morrer de fome durante o inverno, se a sua provisão de mel não durar até o florescimento das plantas.

Por isso, constitui rotina que ele ajude as abelhas, nos meses de frio, alimentando-as com um xarope feito de água e açúcar.
 
No período da Primeira Guerra Mundial, vários alimentos ficaram escassos. E um deles foi o açúcar, que foi racionado pelo Governo.

O pai de Mildred, como apicultor, recebia uma cota extra de açúcar, especialmente para as abelhas. E tal ração passou a ser criteriosamente guardada no porão da casa, separada da cota familiar.

Certo dia, a família recebeu a notícia de que parentes distantes viriam para uma visita, no dia seguinte.

A mãe desejava fazer um bolo, mas não havia açúcar suficiente. As crianças queriam o doce, mais que tudo, e acabaram por convencer a mãe que, se ela apanhasse a medida necessária do barril das abelhas, o Governo jamais ficaria sabendo.

E assim foi feito. O bolo amarelo, assado no forno à lenha, ficou maravilhoso. Principalmente depois de coberto artisticamente com merengue.

Todos se deliciaram. As crianças estavam exultantes, como se tivessem ganhado um grande prêmio.

Pouco depois, chegou o dia da família receber a sua ração mensal de açúcar. O pai foi ao armazém, entregou os seus cupons e trouxe para casa um saquinho marrom, que colocou sobre a mesa.

A mãe o olhou por alguns instantes. Pegou-o e com o mesmo medidor que usara para o açúcar do bolo, separou exatamente a quantidade que utilizara.

Então, ante o olhar estarrecido das crianças, que a acompanharam, ela se dirigiu ao porão e despejou a quantia no barril das abelhas.

O que sobrou no saquinho teve que ser muito economizado naquele mês, por aquela família de sete pessoas. Para Mildred, que adorava doces, foi uma lição extra de sobriedade.

No entanto, a mãe não fez o menor discurso sobre o acontecido. Nada disse sobre honestidade.

Para ela, aquele fora um ato natural, de acordo com a integridade com a qual seu marido e ela viveram as suas vidas.

Mildred já passou dos 90 anos de idade. Há muito deixou de ser aquela criancinha que olhava por cima da mesa da cozinha da mãe, na pontinha dos pés.

Ela confessa que contou a história sobre a honestidade incondicional de sua mãe inúmeras vezes, para seus filhos, seus netos e até mesmo para os bisnetos.

Compara sua mãe a uma abelha que traça uma reta, quando se encaminha para sua colméia, após os seus vôos em busca do néctar.

Sua mãe, diz ela, sempre tomava o caminho mais honesto, uma linha reta, precisa como uma flecha.

E foi por isso que moldou, sem alardes, a consciência de quatro gerações de uma mesma família.

* * *

O coração da mãe é a sala de aula de uma criança.

As lições mais profundas nascem dos momentos preciosos de dificuldades, quando é preciso ofertar o ensino, com ampla visão de quem semeia para o futuro.





Redação do Momento Espírita, com base no cap.Uma doce lição, de Mildred Bonzo, do livro "Histórias para aquecer o coração das mães", de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e Marci Shimoff, ed. Sextante.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um sorriso (Ferreira Gullar)

 















Quando
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas

quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?
que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?






 
 
Ferreira Gullar




Eu sei que todos os dias... (Caio Fernando de Abreu)

 
 
 

"Eu sei que todos os dias ...
Quando eu acordo Deus dá um sorriso e me diz:
Estou te dando a chance de tentar de novo."

Caio Fernando de Abreu